O trabalho místico de criação de Hermann Theichmann supera os limites de mera convivência. Existem re-lembranças  e re-estudos da mulher-desejo e do homem-terra. O contexto da obra busca estabelecer ligações temporais com a ocupação quase sobre-natural de colonos e pescadores. Sem confrontos ou prazeres  pós-modernos.

     

      
  
Esse cenário sempre esteve muito próximo dos seus personagens. Quando porém a serenidade dos rostos denunciar seu ambiente, forma-se uma nuvem de dúvidas. Assim a espontaneidade dos corpos rurais estabelece uma aliança de anseios cósmicos. A plástica dos movimentos remete o expectador à bravura do imigrante. Passa pela ótica de um mundo sem deslizes.


 

   Não há porque dizer-se que todas as alusões a que Hermann se propõe, estejam ligadas ao lugar-comum. A simplicidade dos personagens contempla a epopéia tropical, nada singular.


 

   Cada movimento, cada semblante desvenda um pouco dessa aventura que imprimiu a ferro e fogo o heroísmo pouco elogiado pela história. Tamanho colapso é agora razão para o resgate.

Escultor Hermann Theichmann

     

   Hermann ousa salvaguardar  cada elemento conturbado ataque massificador da globalização. Assim, seu homem refugia-se no microcosmo onde habitam tanto a paciência como a coragem. Suas figuras femininas reabilitam a deusa próxima da satisfação. Pelo menos insinua a herança bíblica.

   Em nenhum tempo palpitam em ambos a mera satisfação. Buscam a liberdade como razão de existir, embora forma e movimento se materializem nesse universo.

   Hermann ampliou os horizontes do espetáculo aos olhos capazes de perceber o sobre natural na matéria amorfa.

   Modifica-a de tal sorte que se eleva ao espaço divino.

Irenêu Voigtlaender - escritor